"Hoje sinto no coracao
um vago tremor de estrelas,
mas minha senda se perde
na alma da nevoa.
A luz me querbra as asas
e a dor de minha tristeza
vai molhando as recordacoes
na fonte da ideia
Todas as rosas sao brancas,
tao brancas como minha pena,
e nao sao as rosas brancas
porque nevou sobre elas.
Antes tiveram o iris.
Tambem sobre a alma neva.
A neve da alma tem copos de beijos e cenas
que se fundiram na sombra
ou na luz de quem as pensa.
A neve cai das rosas,
mas a da alma fica;
e a garra dos anos faz um sudario com elas.
Desfazer-se-a' a neve
quando a morte nos levar?
Ou depois havera' outra neve
e outras rosas mais perfeitas?
Havera' paz entre nos
como Cristo nos ensina?
Ou nunca sera possivel
a solucao do problema?
E se o amor nos engana?
Quem a vida nos alenta
se o crepusuclo nos funde
na verdadeira ciencia
do Bem que quica nao exista (...)"
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