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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Transparent things" - ou, em portugues miseravel, Coisas transparentes

Boa tarde!

Nao, nao e' o Imposto de Renda.

Retiro o nome desta mensagem do livro homonimo de Vladimir Nabokov e termino com o espetaculo de danca da minha amiga Cristina. O autor refere-se num primeiro momento a um lapis. Do que se trata o lapis? Bem, primeiramente ele esta' usado, "gasto". Encontrado em uma gaveta de hotel velho, ele deve ter passado um bom periodo de seu tempo guardado ali para anotacoes quaisquer. Sua irrealidade ja pode ser vista dali, do seu uso continuado. No maximo, teria passado por um apontador eventual - o que seria menos um dado de transparencia `a "coisa" lapis.

Talvez eu esteja decompondo o "estado" de lapis ao mesmo estado bruto de existencia ocorrido pela vista do ermitao do famoso conto da "Caverna de Platao". Talvez. Pleas, follow meu raciocinio.

Antes da transparencia em estado bruto, o lapis esteve numa fabrica aonde foi ainda trabalhado em detalhes, apos os trabalhos de grafite e composicao do lapis "em si", a partir de um porte de madeira. Menos transparencia. Do porte da madeira veio o abatimento da arvore e sua germinacao ate um passado incalculavel de gestacao, seja na Terra, seja como particula do Big Bang.

Ai' esta' a transparencia de uma coisa, segundo Nobokov.

O t'ai chi, por outro lado, e' um estado de "solidez" no universo. Germinado ha' seculos por monges, eles compoem atraves do movimento um bale' que seria um desenho de realidade pura (observados o Yin e o Yang), uma marca de carvao no quadro negro da realidade. Esse e' o estado de meditacao em movimento. Ali, o que e' transparente e' o mundo exterior.

Vindo de uma logica diferente, mais marcial, vem s Katas das artes marciais japonesas, especificamente o carate.
Inspirado nos movimentos de animais, da agua e dos movimentos da natureza em geral, tomam a forma a sua realidade de embate a oponentes imaginarios, garantindo ao praticante, prontidao, destreza, agilidade, velocidade e atenta consciencia do que se passa no momento do embate.

E ai', vem a apresentacao de danca de minha querida Cristina. Foi um sabado auspicioso no algo luxuoso e dantesco Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Nao sou especialista, apesar de ter lido algo em Alan Badiou A danca, um pouco como o teatro (talvez uma de suas origens no coro das Traiedias gregas - Esquilo, Sofocles) seria uma exppressao - de um conceito (no jazz? na danca moderna?) expresso na arte da danca. Um sentimento corporificado e de beleza estetica. Ou pode vir, mais primitivamente ainda, das dancas ritualisticas de indios, negros e, quem sabe Hindus.

Sou grato por ter vivenciado tal experiencia conscientemente. O corpo bruto transformado em sentimento. Muito bonito.

Falei besteira?

Cartas para a redacao e obrigado, Ana.

Beijos,
Fernando.

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