Pesquisar neste blogue

domingo, 10 de abril de 2011

Cancao Oriental

E' a roma olorosa
um ceu cristalizado.
(Cada grao e' uma estrela,
cada veu e' um ocaso.)
Ceu seco e comprimido
pela garra dos anos.

A roma e' como um seio
velho e apergaminhado,
cujo mamilo se fez estrela
para iluminar o campo.

E' colmeia diminuta
com favo ensanguentado,
pois com bocas de mulheres suas abelhas a formaram.
Por isso ao estalar, ri
com purpuras de mil labios...

A roma e' coracao
que palpita sobre a semeada,
um coracao desdenhoso
onde nao bicam os passaros,
um coracao que por fora
e' duro como o humano,
mas da' a quem o traspassa
olor e sangue de maio.
A roma e' o tesouro
do velho gnomo do prado,
o que falou com a Rosinha
no bosque solitario.
Aquele da branca barba
e' do traje colorido
E' o tesouro que ainda guardam
as verdes folhas da arvore.
Arca de pedras
preciosas
em entranha de ouro vago.

(...)"

1920 - Federico Garcia Lorca

Sem comentários:

Enviar um comentário